É difícil entender os mistérios da humanidade. Como, por exemplo, os motivos pelos quais um homem coloca fogo em crianças que estão sob a proteção de uma creche, local que ele mesmo era contratado para fazer a segurança. Somente chamando-o de maluco, doido, demente, louco. Um ato de insanidade que marcará para sempre a história de Janaúba. Uma crueldade que deixará marcas jamais esquecidas pelos corpos dos que sobreviveram a essa tragédia. A lembrança da morte não se apagará das mentes das inocentes vítimas da loucura. Doloroso buscar explicações.

Por que as crianças morreram? Por que elas foram as vítimas? Por que permitir que mães percam o abraço puro de um filho? Como entender essa tragédia?

É preciso buscar forças no ato de coragem da professora Helley de Abreu Silva Batista, que em um gesto de amor entregou a própria vida para salvar tantas outras. Resistiu ao fogo, à dor, ao medo, para enfrentar a maldade humana. Ela era determinada, uma pedagoga que buscava novos métodos de ensino, que promovia a inclusão de alunos com algum tipo de deficiência, que debatia os rumos da educação, mesmo o ensino sendo carente de recursos e das preocupações governamentais. Que mulher guerreira. Lutou viva. Lutou pela vida. Morreu para que outros pudessem viver.

Penso que ela teve uma garra de leoa para proteger suas crias, suas crianças, seus pequenos alunos. Salvou as que Deus permitiu. Certamente, como católica praticante que era, rezou para aqueles anjos que Ele iria receber nos céus. Helley se sacrificou. Como mulher, como professora, como cidadã, como esposa, sobretudo, como mãe.

Deverá ser sempre lembrada como um exemplo. Enaltecida como heroína pela eternidade. Uma santa, do norte de Minas, do mundo, da sala de aula de todas as escolas. Das creches que os pais confiam a vida de seus filhos. Uma professora que morreu no solo sagrado do ensino, cumprindo uma missão tão nobre. Que tristeza! Coração chora ao imaginar a cena, os gritos, a luta corporal que ela travou com o piromaníaco. Um assassino.

Na semana em que celebramos o Dia das Crianças e dos Professores, Helley merece nossas orações. E nossas homenagens, mesmo que o momento seja de luto. Sua família, às nossas condolências. Partiu deixando em sofrimento o marido e três filhos, entre eles, uma bebê de apenas um ano e três meses. Somos, e me incluo nessa perda, órfãos de uma mulher que teve uma atitude mais do que admirável. Egoísmo zero.

Que Santa Tereza D’Ávila a proteja. E proteja todos os educadores, que lutam pelo ensino, que se dedicam a formar profissionais, que se empenham para encontrar caminhos melhores para os estudantes. Que cuidam das crianças em qualquer fase educacional. Que mostram o conhecimento. Que modificam histórias. Que realizam, que nutrem esperanças. Que educam.

#SomosTodosJanaúba
#SomosTodosHelley
#OremporJanaúba

Compartilhar

Comentários

Veja também

26 de setembro de 2017

PARECE, MAS NÃO É

Ama dirigir. Pegar a estrada para desbravar o desconhecido, aventurar-se nas redondezas da cidade onde mora, observar a paisagem de Minas Gerais. Suas montanhas verdes coloridas por ipês dos acostamentos, seus pássaros cantadores que buscam a sombra das árvores para descansar. Nem se importa com o tempo passando, com as distâncias que percorre enquanto desfruta […]

10 de setembro de 2017

CONVERSA ALHEIA

Dois homens, carregando na idade a experiência, conversavam animados antes do voo partir rumo a São Paulo. Parecia um encontro de velhos amigos em viagem de férias. Relembravam, falavam de amenidades, riam de besteiras, comentavam sobre os anúncios de relógios e de bebidas da revista de bordo. Pareciam ogros. Dos que ostentam o número de […]

08 de agosto de 2017

VOCÊ JÁ SOFREU BULLYING?

Essa pergunta tem me intrigado nos últimos dias. Estou me questionando sobre os gestos desastrosos que cometemos contra os outros. Podem ser palavras que nada dizem, mas provocam a dor física. Ou agressões que machucam o corpo e a alma. Dilaceram. Destroem a vida de quem é perseguido. São tão nocivos que podem até matar. […]