H.
H.
O.

Elementos químicos. Conexões. A menor forma. Molécula essencial para a vida. Várias moléculas unidas. H2O + H2O + H2O + H2O + H2O + H2O = ÁGUA, em abundância.

Uma molécula. Duas. Três. Uma gota, duas, três. Pingo, pingo, pingo. Reunidos na intensidade, na quantidade. Tudo correndo normalmente, no fluxo que deve ser. Seguindo o caminho direcionado pelo tubo na parede. O cano cumprindo sua missão. Levando água para usos diversos.

O acúmulo, a força, a pressão. O tempo determina a utilidade do cano. Desgaste, uso indevido, material ruim, o tempo. Mesmo visto como um ato negativo, por determinado período, cumpriu o destino. Chega o momento da observação de outras saídas.

Tanto bate, tanto fura. Se um dia vai para o ralo, em outro vai para a parede. Vazamento. Internamente. Uma gota, duas, três, quatro.

Bate, bate, bate. O furo está em milímetros. Moléculas espertas (ou dispersas) respiram numa fuga silenciosa, calma, lenta. Porém, outras também anseiam o desvio da rota. Suspiram pela curiosidade daquele túnel. O furo se amplia. Mede-se em centímetros, decímetros… O cimento absorve. O tijolo encharca.

Falta espaço. Moléculas rebeldes alcançam o azulejo, outras empurram o reboco. Estufamento. O cenário fica oco: vazio de concreto; cheio da fluidez do líquido. Acúmulo. Sufoco. Respiração. O excesso, a falta. Precisa-se de espaço.

Uma gota, três, seis, nove… Umidade. Pequenas gotas ganham a liberdade. E com ela, as consequências. O mofo. A doença. A asma. Muita umidade. A inutilidade, mas o alerta, pois as gotas não são solitárias. Aparecem em altas potências matemáticas.

Com energia, com violência, enfrentando as barreiras. São fluidas no processo natural. Contudo, rígidas na ultrapassagem dos obstáculos. O vazamento só cresce.

Não há impedimento para a água que busca outro sentido para a própria vida. Arrebentam. Destroem. Limpam o que há pela frente, pelos lados. Unidas têm consistência, pois se apropriam do leito. Correm para o mar, sentindo o chamado da base, da mãe. E vão…

Para a água, ganho. É o destino que cabe, traçado. Missão. O simbólico da água é a prosperidade. Espiritualmente, indica purificação, batismo, renascimento, bênçãos, forte ligação com as emoções, vitalidade e fertilidade.

Cuidado com os vazamentos. Para quem convive: perdas. Com o fluxo contínuo, lá se vão sonhos, metas, dinheiro. Canos vazando, torneira pingando, desperdício de água é prosperidade indo embora. Represamento de energia, falta de proteção.

Que seja o melhor fluir.

Juliano Azevedo
Jornalista, Professor, Escritor, Terapeuta Transpessoal.
Mestre em Estudos Culturais Contemporâneos
E-mail: julianoazevedo@gmail.com
Instagram: @julianoazevedo

Compartilhar

Comentários

Veja também

24 de janeiro de 2020

PARABÓLICA DA OBSERVAÇÃO

Olho pela janela, as nuvens escuras, uma chuva persistente, fininha. Antenas nos outros prédios sinalizam o amor à televisão. A minha está ligada para fazer apenas barulho, uma companhia na manhã de sexta-feira, dia de preguiça – um pecado capital merecido para os momentos de férias. Café tomado com o pensamento no almoço. Estômago está […]

05 de dezembro de 2019

É PARA SEGURAR ESSA BARRA

O fim de cada ano é uma época que mexe com as nossas emoções, as nossas posturas e os planejamentos para algo novo que virá. Confio e vibro nessa energia e fico observando os sinais ao longo dos dias, esperando as mensagens que o universo envia. Acolho-as, reflito, deixo seguir o baile naturalmente. Mesmo que […]

28 de novembro de 2019

FELIZ NATAL ANTECIPADO

Quinze de novembro, feriado, sexta-feira de plantão no trabalho. Dia cansativo, de muitas demandas. Doze horas produzindo enquanto os amigos postam fotos nas redes sociais mostrando o que estão fazendo na praia, no churrasco, na cachoeira… O tempo não passava. Demorou a hora do boa noite aos colegas na mesma situação. Vinte horas e alguns […]