Ah! O carnaval! A data que para o tempo, que marca rituais. Acabou-se! Metaforicamente, o período que determina o início do ano trabalhístico. E, logo após o “feriado” da maior folia da Terra, inicia-se a redenção dos pecados na Quaresma, durante 40 dias. Momento, para os cristãos, de reflexão, de recolhimento, de mudança. De fé! De oração, penitência e jejum.

Tradicionalmente, nesta época, são feitas promessas penitenciais como não beber cerveja nem refrigerante, não comer chocolate nem carne vermelha, não ver televisão, dentre vários sacrifícios que mexem com o cotidiano do fiel em preparação para a Páscoa. Para quem não está familiarizado, basta se lembrar que são atos ensinados pelos ancestrais e recomendados, normalmente, pela Igreja Católica. Certo é saber que, reforço, é um período de reflexão. E quando refletimos, tendemos a mudar.

Em outras culturas, talvez nem ligadas a nenhuma religião, igualmente são sugeridas práticas que promovam uma transformação no indivíduo com data marcada. Como por exemplo, após um curso de formação em Reiki, o mestre recomenda que se faça um jejum de carne por 21 dias, em prol de uma purificação energética. Não se sabe ao certo o motivo dessa regra, que também é usada em outras terapias, mas entende-se que, no Reiki, cada um dos sete chakras precisa de três dias para se limpar. Um dos pioneiros da Teoria dos 21 Dias foi o cirurgião-plástico e psicólogo Maxwell Maltz que, na década de 1960, observou a partir das cirurgias e dos relatos dos pacientes que o cérebro precisa de três semanas para se adaptar a uma mudança.

Na Teoria dos Setênios, as transformações ocorrem em períodos de sete em sete anos. Assim, nos aniversários em múltiplos desse número, no jogo da vida, o indivíduo passa de fase, uma experiência de conhecimentos adquiridos que servirão para a busca de novos desafios. Assim, percebe-se que, em algum momento, aparecerá o número 28 nesse processo. Já li que para mudar o cérebro e ele agir no corpo, são necessários 28 dias: 21 de preparação e sete para aceitação.

Enfim! Se for para refletir, faço um convite. Caso esteja planejando alguma promessa para a Quaresma, sugiro analisar alguns comportamentos vistos por aí. Adianta o sacrifício da bebida e se embebedar até passar mal no Sábado de Aleluia; evitar a carne e na mesma festa promover um churrascão matando um boi; negar o chocolate e se lambuzar até doer a barriga com os ovos de Páscoa mais caros da propaganda? Que tal amar mais o próximo, respeitando-o em suas individualidades? Acredito que será um desafio não falar sobre o outro nas rodinhas de fofoca, jejuar as palavras caluniosas, abster-se de bobagens que não engrandecem nem ajudam a alcançar a plenitude espiritual, muito menos o nirvana.

Recomendo o aprendizado da Língua Portuguesa: 40 verbos que estimulam práticas de amor, segundo o Papa Francisco:

1 – Converter-se para uma Quaresma mais santa
2 – Agradecer mesmo sem ter necessidade
3 – Cumprimentar aqueles que você vê todos os dias
4 – Lembrar ao outro o quanto você o ama
5 – Ouvir em silêncio, sem julgar
6 – Ajudar alguém para que ele/a possa descansar
7 – Separar o que você não usar e dar a quem precisa
8 – Telefonar para uma pessoa que você não vê há tempos
9 – Reconhecer os sucessos e qualidades do outro
10 – Dar uma força para alguém superar um obstáculo
11 – Parar para ajudar alguém que precisa
12 – Animar alguém que esteja triste
13 – Corrigir com amor, não calar por medo
14 – Limpar sempre o que sujou em casa
15 – Ser sempre delicado com os outros
16 – Proteger a criação, cuidado com a vida, o planeta
17 – Aceitar o outro como ele é
18 – Levar esperança ao outro, acreditando sempre no melhor
19 – Olhar com carinho o mundo que Deus nos deu
20 – Respeitar o jeito de ser de cada um
21 – Solidarizar-se com a dor e o sofrimento do outro
22 – Rezar por uma família da comunidade
23 – Zelar pelas coisas alheias e suas
24 – Transmitir confiança ao outro
25 – Vigiar para não sucumbir às tentações
26 – Confessar suas faltas no Sacramento da Reconciliação
27 – Servir mesmo que seja somente um copo de água
28 – Perdoar e pedir perdão ao outro pelas tuas faltas
29 – Jejuar de palavras e atitudes que ferem ao outro
30 – Visitar um idoso
31 – Praticar a caridade com os menos favorecidos
32 – Proclamar o Evangelho a toda criatura
33 – Sorrir, um cristão é sempre alegre
34 – Cuidar do outro sem restrições
35 – Elogiar sem invejar simplesmente
36 – Valorizar as pequenas coisas ao nosso redor
37 – Contribuir para aliviar o peso das costas de alguém
38 – Colaborar com as iniciativas do outro
39 – Abraçar para tocar o coração do outro com o seu
40 – Comungar pela Páscoa do Senhor!

Paz e Luz!

Juliano Azevedo
Jornalista, Professor, Escritor, Terapeuta.
Chefe de Redação da TV Alterosa
Blog: www.blogdojuliano.com.br
E-mail: julianoazevedo@gmail.com
Instagram: @julianoazevedo

Image by gauravktwl on Pixabay

Qual seu maior sacrifício? Responda nos comentários abaixo:

 

Compartilhar

Comentários

Veja também

15 de maio de 2019

REFLEXÕES PITAGÓRICAS

Você sabe o número do seu endereço; do tamanho do seu calçado; da data do seu nascimento; de tantas outras informações necessárias para sobreviver. Telefone próprio, da mãe, do trabalho, dos “contatinhos” para sair no fim de semana. Gabriel Pensador já cantava, no passado, a lista alfabética inteira para conseguir um chamego na madrugada. “2345meia78, […]

01 de maio de 2019

CHUTANDO O BALDE

Pediu-me um conselho: “preciso de uma desculpa para não ir ao ‘rolê’ com os meus amigos. O que falo com eles? Me dê uma ajuda”. Assim começou o diálogo com um amigo mais jovem, em busca de uma solução para seu dilema de feriado. Normalmente, sou direto nas respostas, mas respirei antes de pensar em […]

20 de fevereiro de 2019

LEI DE NEWTON

Pais conversam, freqüentemente, sobre as atitudes das crianças nas escolas. Buscam respostas para questões complexas quando faltam testemunhas para fatos corriqueiros entre os pequenos. Quem mordeu quem primeiro? Por que o filho está falando determinadas palavras que soam impróprias em algumas residências? É função do professor ensinar comportamentos familiares? A escola, realmente, educa? A criança […]