Antes da virada de cada ano, faço uma lista de livros para serem lidos na fase que virá. São 12 obras, uma por mês, obrigatoriamente. No entanto, permito-me separar outros 12 títulos para leitura paralela. Tenho livro para viagem, para consultório médico, para antes de dormir, para estudar, para ler no silêncio do banheiro. Na cabeceira da cama, está a pilha selecionada, para que eu possa sentir o cheiro do conhecimento e do lazer. Leio de tudo. Até algo que não conheço, mas que me recomendam em projetos aleatórios de grupos de WhatsApp. No início de 2019, fui desafiado…

Criaram o grupo Desafio 1 Livro Por Mês, da TAG – Clube de Assinaturas de Livros –, com dicas, motivações, técnicas para acelerar a leitura. Por lá, uma turma se uniu em um “clube de leitura virtual”, cuja proposta era que todos os membros lessem o mesmo livro para que comentássemos o conteúdo, as percepções, os gostos, dentre outras observações. O líder sugeriu: O Pequeno Príncipe, Cem Anos de Solidão e O Último Segredo. Optei pelo terceiro já que os outros dois eu já havia lido.

Na ocasião, estava curtindo o réveillon nas praias de Aracaju. Só queria saber de camarão, mar, pé na areia e uma leitura para degustar o descanso. Fui ao shopping e a vendedora informou: “só tenho um exemplar e não sei em qual prateleira ele está”. Respondi: “não tenho pressa. Pode encontrá-lo, que vou comprar pelo preço que for”. Bingo. Estava na promoção por R$ 19,90. Obra do moçambicano José Rodrigues dos Santos, jornalista e escritor que desconhecia até então. Ele é best seller na Europa.

O Último Segredo, nono romance do autor, mostra uma série de assassinatos, uma organização misteriosa e enigmas das entrelinhas da Bíblia, revelados por um historiador que se envolve em uma perseguição policial em busca de respostas sobre a verdadeira identidade de Jesus. Tem emoção, tensão, angústia, máscaras, vilões, mocinha sedutora, charadas, citações bíblicas, contradições históricas, polícia, códigos secretos. Obviedades. São quase 500 páginas eletrizantes para ler em pouco fôlego. Passei uma semana imerso na aventura do protagonista, o célebre historiador e criptoanalista, Tomás Noronha.

Estilo parecido com as narrativas de Dan Brown, para quem gosta de ler ficção como entretenimento sem se preocupar com as polêmicas da Igreja Católica ao analisar o livro, a história de José Rodrigues dos Santos é digestiva. Leitura mamão com açúcar, para ficar na beirada da piscina ouvindo o grito da criançada se divertindo. E aceitar que estar ali é para se molhar com os respingos contra o delicioso calor nordestino.

O livro recebeu críticas, elogios, vendeu muito. Não me importo com a superficialidade do roteiro, pois aceito que algumas leituras são apenas para distração cerebral. Li e me diverti. E ainda me surpreendi com a reviravolta dos capítulos finais.

Para encerrar, tenho um segredo para expor: não era essa a obra indicada pelo Clube do Livro. A recomendação era ler O Último Segredo de Lynn Sholes e Joe Moore, mas o administrador do grupo não havia mencionado o autor quando fez suas sugestões. O clube acabou no primeiro mês de vida. Eu continuo lendo o que acho conveniente para cada momento, com uma lista extensa ao lado da cama.

Leia sempre. Luz e paz!

Juliano Azevedo
Jornalista, Professor, Escritor, Terapeuta.
Chefe de Redação da TV Alterosa
Blog: www.blogdojuliano.com.br
E-mail: julianoazevedo@gmail.com
Instagram: @julianoazevedo

Encontre outros livros de José Rodrigues dos Santos, aqui.

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