Uma das mais antigas tradições da humanidade, após séculos de existência, ainda é um mistério. E motivo de fofoca e objeto de todos os tipos de análises como fazem os torcedores de futebol que se acham técnicos para interferir na escalação do time do coração. Ficam na arquibancada observando, gritando suas táticas, opinando sobre a perna que deveria ser usada pelo atacante, da luva do goleiro, do esquema 3, 3, 2, 2, 1 (que nem existe). Palavrões, palavras de motivação, brados de guerra. Assim também se comportam os que estão de fora da vida conjugal alheia. Críticas e mais críticas do que é certo ou necessário para o nariz dos outros.

Casamento é no civil, regulamentado pela legislação. Matrimônio é sacramento, instituição da igreja, sobretudo, católica. Uma benção. Desejo dos devotos de Santo Antônio. Desespero para aqueles que são usados para um combinado de favores entre famílias poderosas. Mulheres são trocadas por camelos. Um dote de duas corcovas ou será que o dromedário vale menos? Certo é que outras senhoritas são destinadas ao harém do faraó dos mil filhos. Para manter o trono, príncipes, nem sempre encantados, aceitam esposas figurativas. Homens assumem o papel falso da alegria para esconder fetiches do corpo. E seus pecados. O ato de trocar alianças merece carregar a metáfora quando os anéis encontram os dedos ao longo da história humana. Por que a aliança deve ser de ouro? Ou de coco? Escolhas…

O imbróglio entre os atores José Loreto, Marina Ruy Barbosa, Débora Nascimento e tantas outras figuras famosas, envolvidos no divórcio de um, na traição do outro, no disse-que-disse da coxia, está ganhando mais emoções do que qualquer novela. E o segredo dessa confusão está melhor que as suposições se Capitu traiu Bentinho, personagens machadianos que deixam os vestibulandos de cabelo revoltado na hora da interpretação de texto do Enem. Se ler Dom Casmurro é sacanagem para quem está na 7ª série, entrando na adolescência e ainda nem beijou na boca nos intervalos das aulas, imagine entender o que aconteceu nos bastidores globais! É muito teatro para encobrir as verdades secretas. Ou as mentiras reais.

Esse caso é uma lição dos antigos clichês: em briga de marido e mulher, não se envolvem colheres, garfos, facas. Nem opinião sobre o enxoval. Ali, e em tantas outras vidas amorosas, cada um sabe de si. Há famílias, crianças, parentes, amigos que são apenas coadjuvantes nesse enredo e que estão levando o dedo na cara como se fossem culpados de um crime. Não há dúvida que telhado de vidro tem na casa de todo mundo. E um dia ele se quebra e se despedaça na mágoa dos outros.

Case-se. Descase. Viva a dois ou em poliamor. Com homem ou mulher. Sem gênero ou com todas as letras da diversidade. Não case, não divida. Tenha teto ou a lua e as estrelas por testemunhas. Moradia no campo, na praia, debaixo do sapê. Com sentimento, sem afeto, com namoro longo, com três dias de troca de olhares. Sem discussão ou com todos os sinônimos polêmicos: casamento é um mistério. Qualquer decisão tem de ser feita por convicção. Seja convicto que, depois do sim a qualquer decisão, o que vale é a própria felicidade.

O que você pensa sobre o casamento? Comente aqui embaixo:

Aliança é sinônimo de amor?

Juliano Azevedo
Jornalista, Professor, Escritor, Terapeuta.
Mestre em Estudos Culturais Contemporâneos
E-mail: julianoazevedo@gmail.com
Instagram: @julianoazevedo

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