Por acaso, descobre-se que a Holanda não é um país e sim uma província dos Países Baixos ou de Nederland (País Baixo). E nota-se que a vida é uma caixa de surpresas e que o conhecimento não é pleno. Aprende-se sempre! Por isso, subestimar alguém ou supor que algo é incontestável são situações perigosas. Talvez a aula de Geografia ensinou a informação, mas não quer dizer que tal curiosidade foi absorvida à época.

Na memória, ainda na escola, nas conversas da aula de História, a professora explicou sobre a colonização holandesa no Brasil. Vagamente, já que se falava mais da produção do açúcar, atividade comercial ligada a eles. Nas lembranças, ficaram os clichês: tamancos, tulipas, moinhos de vento, Anne Frank. As flores de Holambra e o modelo das casas daquelas bandas que viraram blocos de montar nas brincadeiras infantis dos anos 1980. O resto, o Google ajudou. Nada de surpreendente a descoberta. Porém, conhecimento geral nunca ocupa espaço. Certamente, uma reflexão sobre o assunto é interessante.

Muita gente também se assustou quando o fato foi publicado no Facebook. Também desconheciam a realidade e foram à procura da verdade holandesa. A desinformação pessoal virou debate, pois outros criticaram o desconhecimento: “não assiste aos Jogos Olímpicos?”, perguntaram nos comentários da rede social. Entende-se que nem sempre sabemos de tudo nem é necessário ser uma enciclopédia ambulante.

Valores holandeses

A dúvida provocou uma analogia com a atual situação brasileira: um país de terceiro mundo, pobreza, roubos, escândalos, preconceitos de todos os tipos. Será que a colonização holandesa teria sido melhor para as terras tupiniquins? Idioma por idioma, português e neerlandês são complexos. Logo, a língua não seria um problema no desenvolvimento. Os Países Baixos têm valores tradicionais e virtudes civis que precisam ser discutidos com profundidade no Brasil como a tolerância social em relação à homossexualidade, às drogas, à prostituição, à eutanásia e ao aborto. Sobretudo, à liberdade religiosa. Lá, há uma política séria de investimento em direitos considerados essenciais como educação, saúde e segurança para todos os habitantes.

Não há aqui, uma defesa integral de todos os valores descritos acima. Nem síndrome de cachorro vira-lata que só valoriza o que os outros têm. Afinal, alguns locais, ex-colônias da Holanda, também sofrem suas misérias após suas independências. Contudo, percebe-se que é possível fazer diferente, ser um povo melhor, mais educado, mais sadio, menos violento, essencialmente, mais humano. Com mais dignidade de vida e para viver. Com conhecimento, o jeitinho brasileiro terá uma particularidade diante do mundo. Pero Vaz de Caminha já havia previsto: nessa terra, tudo que se planta, dá. Até sabedoria, não é mesmo?

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