Sou um curioso. Gosto de descobrir histórias, lugares, cheiros, gostos, o significado de palavras, o sentido da caminhada. Busco informações para entretenimento e para conhecimento. Faço um mix dos dois ao mergulhar nas minhas pesquisas desde os tempos de trabalhos escolares na Biblioteca Municipal, onde copiava dados da Barsa, de livros didáticos, para viajar na imaginação e para conseguir uma nota boa. Atualmente, mesmo com a tecnologia, a ajuda do clique rápido no Google, anoto sobre o que aprendo para usar em alguma ocasião ou em conversas aleatórias.

Na semana do feriado de finados, em momentos diferentes, minha curiosidade foi aguçada após assistir à uma entrevista de um vidente na televisão, ler um livro que disserta sobre a cultura de Minas Gerais e acompanhar uma série na Netflix, que relata um período histórico que mudou os rumos da humanidade. Como me aprofundo no tema, achei que os casos já seriam suficientes para ocupar espaço na cabeça, quando na sexta-feira, numa ida ao cinema, fui surpreendido por outra história que está relacionada, por coincidência, ao Dia dos Mortos. Como diriam os adolescentes: foi sinistro. Para matar a sua curiosidade, dividirei o que tenho descoberto.

A série “The Tudors” conta a história do Rei Henrique VIII, da Inglaterra, que assim se resume: em busca de um herdeiro, o soberano se casou seis vezes; entrou em desarmonia com a autoridade papal criando a Igreja Anglicana; guerreou contra a França e o Império Romano; mandou matar opositores; morreu de obesidade mórbida. E tudo começou por sua paixão enlouquecedora por uma mulher que sabia usar seus dotes conquistadores. Basicamente, aprendemos tudo isso na escola, mas o que tem mexido com meus pensamentos, caso a série mostre uma realidade, é como Ana Bolena foi decisiva na reforma da igreja inglesa. Tenho me perguntado se ela manipulou o rei ou se foi usada para tal façanha. Contudo, ainda não me aprofundei nesse caso de amor e ódio.

Hampton Court Palace é um dos cenários da história de Henrique VIII

Falando em catolicismo, fui apresentado a uma devota de Cristo, que foi canonizada nesses tempos em que reis e rainhas barganhavam tronos pelo mundo, pelo vidente Alexandre Cigano. Em suas previsões na TV, ele citou Santa Sara Kali, como protetora dos ciganos e das mulheres que desejam engravidar, dos exilados e dos desesperados. Cercada de lendas, a história da santa é maravilhosa. Os relatos dizem que ela pode ter sido a parteira de Jesus e ajudante de Maria ou que foi serva de Maria Madalena. Ou uma cigana que ajudou a salvar Maria Jacobina (irmã de Maria de Nazaré), Maria Salomé (mãe dos apóstolos João e Tiago) e Maria (mãe de Jesus) de uma severa tempestade no mar. O termo “kali” significa “a negra” em hebraico, por isso, sua imagem é de uma mulher de pele negra ou mulata, trazendo na cabeça seu famoso lenço, símbolo de pureza e consagração a Deus. Sua cripta está em Saintes-Maries-de-La-Mer, na França, onde é adorada na Igreja das Santas Marias.

Santa Sara Kali é protetora dos roma (ciganos) e das mulheres grávidas

Por fim, tem a simbologia do filme de terror russo “A Noiva”, que está nos cinemas provocando uns sustos nos espectadores. Nada que dê medo, pois é uma obra inconsistente de dramaturgia para os meus gostos. Porém, sua narrativa é baseada em um costume antigo que, realmente, é assustador: fazer foto dos mortos. Lá no início dos inventos que estimularam a fotografia, as pessoas tinham o hábito de fotografar os parentes mortos com o restante da família. Era a chance de se registrar um momento único de todo o grupo para que a imagem daquele ente que se foi não se perdesse na memória. Em alguns exemplos, as pálpebras fechadas eram pintadas simulando os olhos para que o defunto tivesse aparência de estar “vivo”. Surreal.

Filme russo usa costume antigo de fotografar mortos como mote

Não me esqueci do livro que revela os mistérios de Minas Gerais. Por isso, para dar um gostinho na sua curiosidade, nas próximas semanas, conto como os mineiros se livraram de alguns costumes dos colonizadores portugueses…

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