Quinze de novembro, feriado, sexta-feira de plantão no trabalho. Dia cansativo, de muitas demandas. Doze horas produzindo enquanto os amigos postam fotos nas redes sociais mostrando o que estão fazendo na praia, no churrasco, na cachoeira… O tempo não passava. Demorou a hora do boa noite aos colegas na mesma situação. Vinte horas e alguns segundos marcava o relógio, quando apaguei as luzes. Em menos de 15 minutos, abri o portão do prédio onde moro em busca do sono perfeito, do abraço do meu travesseiro, da cama aconchegante. Mas uma surpresa cutucou meus pensamentos.

No hall do prédio, as plantas brilhavam, piscando. Pisca-pisca. Pisca-pisca. Pisca-pisca. Meus olhos sonolentos entraram em alerta com tanta iluminação. Na parede, imagens do Papai Noel, das renas, do trenó, de presentes. Uma samambaia já estava fantasiada de árvore de natal. Meu coração palpitou com o susto daquele momento. Será que desmaiei e dormi por semanas? O que estaria acontecendo? Natal? Festas de fim de ano? Amigo oculto? Ruas lotadas? Compra de presentes? Fiquei entorpecido pelas luzinhas sincronizadas em uma música inexistente. Subi as escadas em menos de um minuto para conferir o calendário. Perdi a vontade de me jogar nos braços de Morfeu. Afinal, eu já estava viajando em um sonho real.

Lembrei-me das lições das catequistas: “de acordo com a tradição católica, a árvore de Natal deve ser montada a partir do dia 30 de novembro, que é o começo do período do advento. Sua montagem deve ser aos poucos, intensificando-se a partir de 17 de dezembro (momento em que a Bíblia começa a falar do nascimento de Jesus)”.

Havia algo esquisito e eu não estava preparado. Mal passou o Dia das Crianças, a cidade se veste de verde e vermelho, enfeita-se de bolinhas, de luzinhas paraguaias, de imagens do bom velhinho. As vitrines ganham faixas de promoções: liquidação, descontos, compre e concorra a prêmios. No Instagram, fotos de crianças abraçadas, no colo do aposentado que conseguiu trabalho temporário com dois meses de antecipação. Fiquei assustado só de pensar no calor que o indivíduo estará sentindo nesta primavera calorosa de 2019. Será que barba dele já havia crescido o suficiente?

Meu Deus! Pare a Terra, alguém coloque freio no tempo, nas pessoas. Que ansiedade louca o mundo está vivendo? Antecipação do natal é demais para mim. O tempo da festa natalina se transformou na velocidade das mensagens do WhatsApp. A notificação chega, lê-se o conteúdo, fizemos o check azul. Conversas instantâneas, em uma agilidade fenomenal. É pah, pum! E o pânico do lado de lá em relação àquele que não responde na mesma sintonia? O remetente fica travado, rangendo os dentes, ansioso que na tela não aparece o verbo “digitando…”.

Pois é. Estou assim. Não entrei no clima do natal, pois dezembro nem começou e os bonecos já balançam as cabecinhas nas portas das lojas. Estamos atropelando a rotina numa velocidade acima do que alcançam os carros da Fórmula 1. Daqui a pouco, vamos nascer, crescer e morrer na velocidade da luz. Viver na intensidade cansa, traz doenças, faz “endoidar” a cabeça. Vamos sossegar o facho, aproveitar os momentos com mais tranquilidade (mesmo eu achando que 2019 deveria ter acabado em janeiro). Do mesmo modo, também é lição. Ano complicado, sim. Mas vamos respirar. Inspira, expira. Inspira, expira. Inspira, expira. Senão, a gente pira.

Juliano Azevedo

Jornalista, Professor, Terapeuta Transpessoal.
Mestre em Estudos Culturais Contemporâneos
E-mail: julianoazevedo@gmail.com / Instagram: @julianoazevedo

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