Quando queremos reclamar de algo que está acontecendo na atualidade da vida, normalmente, relembramos o passado e repetimos as frases clichês: “no meu tempo era assim”; “antigamente era melhor”; “não se faz tal coisa como nos meus dias de criança”; “eu era feliz e não sabia”. Os tempos mudam, a gente cresce, amadurece. Os cabelos brancos ficam evidentes. Tudo isso é fato, mas nada que não possa ser superado numa taça de vinho, num banho quente, em um choro no travesseiro, numa noite bem dormida. Um colo da pessoa amada ou o bom e tradicional ombro da mãe. Contudo, estou com uma indignação propícia para um desabafo que possui referências da época em que a minha maior preocupação era fazer o dever de casa.

Na minha entrada da adolescência, era rotina ir para escola, almoçar assistindo aos desenhos dos super-heróis da Liga da Justiça e aos episódios da primeira temporada de Power Rangers, dar um cochilo e acordar durante o Jornal Hoje, estudar, fazer pipoca para acompanhar os clássicos filmes da Sessão da Tarde, começar a noite se lambuzando em uma panela generosa de brigadeiro, ver as novelas, dormir. No outro dia, a mesma coisa. Privilégio de quem tinha um pai dono de armazém que vendia de tudo, principalmente Toddy e Leite Moça. Falei desses detalhes só para frisar a importância de uma das melhores sobremesas do planeta no meu dia a dia. Por isso, preciso ser nostálgico neste momento nessa história: outrora, brigadeiro era beeeeeeeeem maaaaaiiiiisssss gostoso do que atualmente.

E tenho argumentos para explicar, logo nem me questione oferecendo esses bolinhos de chocolate com grife de gourmet, sem lactose, sem glúten, sem cacau, sem açúcar, sem todos os ingredientes básicos para receita tão simples. Numa pesquisa rápida na internet, certa vez, encontrei uma blogueira dizendo que havia 35 maneiras para inovar o sabor do brigadeiro… Para com isso né!!! Vou citar os mais excêntricos para que se entenda o tamanho da minha inquietude. Cada receita leva um ingrediente: chocolate branco, caipirinha, limão, morango, banana com canela, coco, pistache, churros, leite ninho, café, paçoca, Nutella, biscoito Oreo, cappuccino, Kit Kat. Quer mais? Na lista da doceira, ela classifica alguns como especiais: biomassa, banana verde, paçoca vegana, sem leite condensado. E ainda tem a pior ousadia contra quem inventou o doce, o “brigadeiro fake”, ou seja, não é brigadeiro, mas leva a fama. É feito com leite em pó, banana, whey protein (aquele suplemento popular na academia) e, para fazer as vezes do granulado, coloca-se chia. Fiquei assustado.

Antes de ser massacrado, perdoe-me quitandeiras, chefs, confeiteiro(a)s, a turma do buffet de festa infantil, mas essas misturas culinárias podem ser tudo, inclusive gostosas. Entretanto, não são brigadeiro. O de verdade leva leite condensado, chocolate e manteiga. E só. Não existe brigadeiro como antigamente. E está difícil não contestar as guloseimas que são servidas por aí. Agora colocam amido de milho para engrossar e para dar volume, chocolate parafinado para dar liga, gema de ovo no lugar da manteiga. Desejo o verdadeiro sabor, ter sensações gustativas memoráveis, comer um doce genuíno. Quero o brigadeiro de volta!

E você? Gosta de brigadeiro? Qual o seu sabor predileto? Ou gosta de outro docinho de festa infantil? Comente aí!

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