Sou um viajante. A estrada me move literalmente, não importa o destino. No feriado do Dia de Nossa Senhora Aparecida, parti em busca de sossego, para conhecer uma Minas Gerais muito próxima de mim. Estava decidido a visitar distritos que pertencem a Ouro Preto, famosos pela culinária, pelas cachoeiras, pela religiosidade e pela importância histórica. A hospedagem foi em Cachoeira do Campo, no Hotel Bandeirantes, à beira da rodovia. Com algumas dicas de amigos, o roteiro seria livre. E assim foi uma descoberta marcante de pessoas, de festas, de casos, de descasos. Uma aventura…

Já na Rodovia dos Inconfidentes (BR 356), uma mudança de rota. Fomos parar em Mariana para um almoço no tradicional Festival de Cuscuz de Padre Viegas, conhecido popularmente como Sumidouro, terra do escritor Cláudio Manoel da Costa, de grande importância no século XVIII. Começava ali uma experiência gastronômica para mim que nunca havia comido cuscuz. Provei logo dois: o de frango e o de linguiça calabresa. De volta ao roteiro original, passei por Ouro Preto e ainda almocei na Parada do Conde, restaurante dirigido por minha prima Pollyanna, quase uma ouro-pretana da gema. E teve foto com as primas e as tias que estavam visitando a cidade. Encontros casuais…

Delícias de Minas: Festival de Cuscuz em Sumidouro

Sexta-feira, momento para ficar de barriga para cima, na piscina, para pegar uma cor. A atendente do hotel recomendou um “Day Use” no Retiro da Rosas, de tão perto, que dava para ir caminhando pela estrada. Água, calor, comida de casa, jeito de fazenda, o cheiro da natureza, onde as irmãs salesianas produzem uma geleia de rosas. Iguaria sensorial inusitada ao paladar do meu jeito curioso que também aprendeu que a congregação delas vem da homenagem a São Francisco de Sales, fundada por São João Bosco, em 1859, na Itália. Coincidência foi conhecer essa história justamente na semana que se comemora o Dia do Professor. O santo é considerado o maior modelo de educador, nomeado pelo Papa João Paulo II como “Pai e Mestre da Juventude”. Dom Bosco ensinou que, para educar, é preciso amar primeiro, pois educação é missão para tornar melhores os homens e o mundo.

Pé na estrada logo cedo no sábado rumo aos povoados de Glaura e de São Bartolomeu. Distritos charmosos, cheios de encantos, mas com alguns problemas. Suas igrejas, tombadas pelo Patrimônio Histórico Nacional, precisam de reformas urgentes. A de Glaura está fechada, com risco de desabar, o que é uma vergonha para um país católico, cuja economia, muitas vezes, está ligada às festas religiosas. Assim me contou, os donos do Empório Caza Branca, Alexandre e Maurício, com pastéis de feira acolhedores com cerveja artesanal da região.

Igreja de Glaura precisa de restauração

Em São Bartolomeu, outras descobertas incríveis. O Rio das Velhas nasce ali e é limpo, ao contrário de boa parte de suas águas que desaguam no Rio São Francisco. A goiabada cascão, um dos meus doces prediletos, foi inventada pelas mãos dos antigos doceiros do distrito, que tem fama por outras sobremesas. Aprendi muito ouvindo os casos do Sr. Vicente, apelidado de Tijolo, por causa do formato das guloseimas que ele produz e, também, com a Natália, do restaurante Cantinho Caipira, empresária amável como todo bom mineiro. São Bartolomeu não é muito popular, mas fique sabendo que ele foi um dos doze apóstolos de Cristo.

Foram muitos casos vividos nesses dias, mas vou encerrar com dois que são gostosos. Lá em São Bartolomeu tem uma sorveteria que oferta sabores diferenciados como o de capim-cidreira, que é uma delícia. E tem também o “qualquer um” e o “sangue de dragão”, de nomes esquisitos e de gostos não-identificados. Na volta para casa, parada em Amarantina, outro distrito de Ouro Preto, na sorveteria Arte & Manha, que produz mais de 300 tipos de sorvetes. Se eu pudesse… Lá tem naturais, artesanais, exóticos, sem lactose. Como sou um viajante eclético, misturei amora, lichia com rosas, jabuticaba, mexerica e maçã verde com manjericão. Viagem inesquecível…

Nascente do Rio das Velhas em São Bartolomeu

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